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Antidepressivo, mocinho ou vilão?


Continuando com a minha resenha sobre o especial que a BBC da Inglaterra apresentou no programa do Trust me I’m a doctor sobre a saúde mental, hoje irei escrever sobre os antidepressivos. E trago opiniões divergentes de dois psiquiatras, quando o assunto é a prescrição dos antidepressivos.


Se você for consultar um médico e se queixar de ansiedade ou um desânimo ou até mesmo uma insatisfação com alguma coisa em sua vida, é provável que você receba do médico um antidepressivo.


No ano passado, no Reino Unido, haviam mais de 70 milhões de prescrições escritas. E acompanhando em terapias e conversando com colégas da área da saúde eu percebi que é bem dividida a opinião sobre os antidepressivos.


Isso também intrigou a equipe de especialistas do programa Trust me. I’m a doctor da BBC e eles ouviram dois psiquiatras renomados que têm opiniões completamente opostas. E também ouviram inúmeras pessoas para explorarem o porquê elas desconfiam na eficácia desta alternativa de tratamento.


Eles entrevistaram uma Britânica, a Sra. Vicki Bran. Ela sofre de ansiedade e depressão regularmente. Ela também é uma artista de performance. Após a consulta médica ela teve uma indicação de antidepressivo e Bloqueadores Beta . Mas ela escolheu não tomar as medicações. Quando foi questionada o do porquê ela resolveu não tomar a medicação ela respondeu:


“Eu funciono em uma espécie de espectro de altos e baixos bastante intensos, e eu estava preocupada que se eu tomasse antidepressivos eu perderia os momentos de altos, que é onde vive o meu período de intensa criatividade, que eu posso fazer muito”.


Quando Vicki se sente bem ela consegue ser atuante, ser criativa e com o uso dos medicamentos essa energia pode ser inibida. Mas o que mais preocupa é, o que acontece quando atinge baixo? Ela responde:

“Estou na cama, na verdade, incapaz de me levantar. Os pensamentos estão incrivelmente dispersos. Pensando em escovar meus dentes, mas também pensando em me matar”.


Vicki descreve para o entrevistador estes dois cenários da vida dela e ela se apresenta para ele como uma pessoa tranquila, tendo uma boa linguagem corporal, aberta e amigável, porém ela fala sobre se matar.


Vicki ainda completa que ela teve três ataques significativos que poderiam trazer perigo real para sua vida e dois deles, ela conseguiu passar por eles com ajuda da sua terapeuta. Mas um deles foi no momento em que ela descreve que mais lutava e estava em maior risco ela não estava tendo o suporte. E mesmo assim ela conseguiu vencer aquele momento. Ela ainda completa que no futuro, consideraria tomar antidepressivos mas no momento ela está obviamente determinada a tentar resolver isso sem recorrer a drogas.


Vicki e as demais pessoas que tem uma presrição de antidepressivo, se sentem preocupadas por conta do efeito a longo prazo destes medicamentos. Levantando essa questão, a equipe do programa que é apresentado na BBC – Inglaterra ouviu a Dra Moncrieff.


A Dra. Joanna Moncrieff é uma psiquiatra praticante que também faz palestra no University College de Londres. Ela é bem conhecida por seus pontos de vista críticos sobre o tratamento de problemas de saúde mental com drogas e publicou vários livros, incluindo "The Myth of the Chemical Cure" (O mito da cura química).


Portanto, as taxas de prescrição de antidepressivos estão crescendo e ela vê isso como algo muito preocupante por vários motivos. Ela primeiramente enfatiza que essas drogas não trazem benefícios para as pessoas. Ela acredita que muitas pessoas estão tomando medicamentos que não precisariam estar tomando e que essas drogas podem causar sérios efeitos adversos.


A Dra ainda ressalta, que há evidência de que eles aumentam os pensamentos suicidas entre os jovens em particular e algumas evidências de que eles poderiam aumentar o comportamento agressivo.

As hipóteses mencionadas acima são evidências que devem ser pesquisadas, porém já é sabido por nós que o consumo contínuo de antidepressivos causam disfunção sexual em um grande número de pessoas.


A entrevistadora questionou a Dra Joana que no entanto, devem haver pessoas lá fora que tomam o antidepressivo e, semanas depois, elas se sentem melhores. E ela concorda, mas enfatiza que as pessoas se sentem melhores porque estão tomando uma pílula e isso lhes dá esperança e eles também se sentem apoiados.


Mas, esperança não é algo bom para quem se encontra nesta situação? Foi a questão levantada pela entrevistadora.


“A esperança é boa, desde que se baseie na realidade. Eu acho que oferecer falsas esperanças é a problemática”. Alem deste ponto, a Dra Joana Moncrieff acredita que as pessoas ficam convencidas que elas não vão conseguir sem a ajuda dos antidepressivos e se tornam psicologicamente dependentes deles e não desenvolvem outras formas de gerenciarem suas dificuldades. Pensando desta maneira, pode corroer a confiança que elas podem fazer isso. Ao finalizar ela diz que existem outros meios para ajudar essas pessoas e ver a depressão como um desequilíbrio bioquímico. É uma maneira errada de vê-la. https://en.wikipedia.org/wiki/Joanna_Moncrieff


Por outro lado, a maioria dos psiquiatras tem uma visão diferente dos antidepressivos. O Psiquiatra Simon Wessely é professor de medicina psicológica no instituto de psiquiatria, King's College London,e ex-presidente do Royal College de psiquiatria. https://en.wikipedia.org/wiki/Simon_Wessely


Foi perguntado para o Dr Simon como ele vê o aumento das prescrições de antidepressivos e se ele se preocupa que este número de 70 milhões de prescrições é algo como o dobro referente as prescrições de dez anos atrás. Ele comenta:


“O número de drogas de diabetes dobrou ou o número de drogas anti-hipertensivas dobrou, Dizemos imediatamente: "Isso é um escândalo. Isso é demais. É a pergunta errada. A pergunta que você deve perguntar é: Das pessoas que têm depressão que podem precisar de antidepressivos, elas estão obtendo este tratamento? E eles estão recebendo o valor certo?’


E ele responde sua própria pergunta dizendo:


“ Não, elas não estão! Na verdade, sabemos dos grandes estudos que ainda são casos de que talvez apenas metade das pessoas que sofrem de depressão estejam recebendo tratamentos. Agora, se esse fosse o caso do câncer, nós seríamos irrelevantes. O problema agora é que as pessoas ainda se sentem estigmatizadas, envergonhadas, relutantes em buscar ajuda”.


A entrevistadora relata ao Dr Simon que pessoas como a Dra. Joanna Moncrieff argumentariam que não se sabem como funciona alguns desses antidepressivos e os efeitos que eles podem causar nas pessoas a longo prazo.


O Psiquiatra concorda com a Dra Joanna, porém ressalta que há muitas áreas da medicina onde sabe que algo funciona, mas não se sabe como. Sabíamos que os antibióticos salvavam as gerações das vidas antes de descobrirmos como elas o fazem. É igual com antidepressivos. A única coisa que é irrefutável é a evidência de que eles são tratamentos efetivos e absolutamente enorme.


Sobre os efeitos colaterais, todas as drogas têm. Porém, os efeitos colaterais para antidepressivos já são bem conhecidos. Eles são relativamente leves na maioria das pessoas. Alguns deles podem ser sérios, mas você pode detectar e mudar o medicamento ou o interromper. Comenta o Dr. Simon.


A Dra. Joanna em suas palestras descreve o antidepressivo como um mascarador de sintomas. Já o Dr Simon tem o seu ponto de vista sobre isso:


“Em primeiro lugar, não há nada de errado com sintomas de máscara. Se os sintomas são o que faz você se sentir como tendo sua própria vida, vamos fazê-los. Se você estiver procurando por outras causas também, como por exemplo o abuso infantil, devemos procurar questões nos relacionamentos?

Claro! É preciso ser abordado. E na verdade, isso é o que o psiquiatra faz. Funciona não apenas no biológico, mas também olhamos para o social e para o psicológico, e qualquer um que só olhar um desses, não é um psiquiatra.”


Esta matéria trouxe dois psiquiatras com pontos de vista muito diferentes sobre os potenciais benefícios de tomar ou não antidepressivos. Porém, um ponto onde ambos concordaram é sobre a incrível importância de envolver sua família, seus amigos e, idealmente, profissionais de saúde se você sofre de depressão.


Minha opinião é que ambos tem suas razões em defender os seus pontos de vista. Acredito no benefício do antidepressivo porém não a longo prazo. E a busca por outras alternativas de tratamento , algumas que até já mencionei nos textos anteriores são o caminho ideal para um tratamento mais assertivo. E concordo com os dois que a ajuda da família e amigos é essencial para que essa pessoa se sinta mais confiante na busca e no tratamento.

 

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